JORNAL CINFORM: MÃE DO CORONEL PEDROSO FEZ CIRURGIA DE GRAÇA NO HPM.

2010-06-21 21:07

 

JORNAL CINFORM: MÃE DO CORONEL PEDROSO FEZ CIRURGIA DE GRAÇA NO HPM.

 
 
"Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço". Jargão usado dentro da PM bem que poderia ser aplicado neste caso

 
Mais uma vez o Comando da Polícia Militar do Estado de Sergipe é colocado contra a parede em uma enxurrada de críticas. Desta vez, a coisa é ainda mais grave e parece se insurgir contra quem mais deveria dar exemplo: o comandante geral. A história começa no dia 27 de abril deste ano quando a senhora Maria de Lourdes Pedroso Assumpção, foi submetida à uma colecistectomia videolaparoscópica - uma intervenção cirúrgica, que se faz com o acompanhamento de vídeo no organismo, para a retirada de pedras na vesícula no Hospital da Polícia Militar - HPM.

 
Até aí tudo bem. Mas o curioso é que em uma cópia do livro de cirurgias do HPM à qual o Cinform teve acesso consta que a mãe do comandante geral Pedroso fez a cirurgia de cortesia. De graça. Isso mesmo: uma gentileza justamente com o detentor do maior posto hierárquico da Polícia Militar sergipana. Onde está o mau exemplo? Logo o comandante geral, o sujeito que recebe o melhor salário na instituição - cerca de R$ 25 mil - aceitou que a sua genitora utilizasse as dependências do HPM de forma graciosa, à base do jeito que a cordialidade brasileira consente.

 
Isto é uma contradição suprema. Ou se imagina que todo militar e seu dependente que queira utilizar o HPM para uma intervenção cirúrgica de cortesia teria o mesmo direito? A senhora Maria de Lourdes Pedroso poderia ter feito a cirurgia através do Ipessaúde, mas, como dependente do coronel, ela não tem o plano e não fez o pagamento da cirurgia de forma particular. Preferiram que tudo fosse de graça. O Cinform teve acesso às descrições de 28 cirurgias feitas no HPM no dia 20 de abril até o dia 27 do mesmo mês. Algums foram feitas através do Ipes, outras de forma particular, mas nenhuma na base do 0800, exceto a da genitora do comandante.

 
Na verdade, o que seria uma cortesia se configura como uma descortesia aos demais membros da PM. Quem realizou a cirurgia foi um médico de prénome René, tendo como auxiliar outro de prenome Gustavo. A anestesia geral foi feita pelo médico Machado e a operação durou duas horas e vinte minutos. O Cinform conversou com o coronel Adalmir Oliveira, diretor do HPM, e ele informou que foi procurado pelo comandante geral dizendo que a sua mãe tinha acessado a rede do Sistema Único de Saúde - SUS - porque não se sentia bem. Foram realizados exames em clínicas particulares.

 
Veja o que diz um relatório do HPM: "No caso em tela a senhora Maria de Lourdes Pedroso, mãe do comandante geral, a mesma após ser atendida por uma dos oficiais médicos que diante da necessidade de procedimento cirúrgico solicitou todos os exames necessários que foram realizados fora do HPM (angioplastia no Hospital de Cirurgia pelo SUS, ecocardiografia com dopller - na Diagnose pelo plano particular, ressonância magnética do coração - realizado no Hospital São Lucas pelo SUS) e ficou constatada a necessidade de uma cirurgia".

 
O coronel Adalmir dá explicações: "Como fazemos com todos os militares, mesmo os que não têm Ipes e seus dependentes que precisam, ela deu entrada aqui e o cirurgião geral disse o que tinha de ser comprado, e é um custo mínimo. O cirurgião disse que faria a cirurgia de cortesia", diz ele. "Ela trouxe o que precisava e tivemos um custo mínimo que ficou por conta do hospital", completa Adalmir. Como já revelado pelo Cinform, o ato de cortesia do HPM não é um procedimento de praxe. "Não é corriqueiro os casos de cortesia dentro do HPM. E não foi cortesia, mas praticamente não tivemos custos. A maior parte dos nossos médicos não nega a um colega de farda essas cirurgias", revelou Adalmir. Uma contradição. Ou se faz com todos, ou não se é corriqueiro.

 
Quando o policial militar é atendido no HPM precisa de uma cirurgia e não possui o Ipes, existe uma guia de recolhimento, onde o procedimento passa a ser enquadrado como particular. No caso da mãe do coronel Pedroso, nem isso foi feito. "O hospital é de todo servidor público, mas tem uma guia de recolhimento que a pessoa pode ir e pagar no banco e a sua cirurgia é feita de forma particular", explicou Adalmir. "Quando um policial chega aqui com uma urgência, uma emergência e não tem Ipes, e como recebemos do Estado, uma verba de custeio, nõs fazemos o atendimento, mesmo sem ter o retorno financeiro", afirma Adalmir.

 
Ou seja, o HPM mesmo não atendendo pelo SUS é o hospital de todos os militares, basta chegar lá que qualquer um deles pode se submeter a uma cirurgia gratuita. Sendo esta a justificativa apresentada pela polícia, a coisa fica ao Deus-dará no HPM. O coronel Pedroso foi procurado pela reportagem do Cinform, educadamente explicou tudo, mas preferiu que sua fala não fosse registrada de forma oficial pelo semanário. A Assessoria de Comunicação do Comando da PM informou que a mãe do comandante geral continua em tratamento de saúde.

 
Em e-mail para o jornal a Assessoria informa que "todos os exames da senhora Maria de Lourdes que puderam ser feitos no HPM através do SUS foram feitos". É bom que fique claro que o HPM não atende pelo SUS. "Os exames que não puderam ser feitos no HPM foram providenciados na rede particular, custeados de forma privada pelo comandante. Como dissemos anteriormente, a senhora Maria de Lourdes ainda está em tratamento de saúde e continuará sendo atendida no HPM na seguinte situação: o que for coberto pelo SUS, será feito através do SUS; o que não for coberto pelo SUS, seja procedimento, internação, entre outros, será pago pelo seu filho", finaliza a nota. O aparelho de vídeo utilizado na cirurgia pertence à Caixa Beneficente e está cedido ao HPM em forma de comodato.

 
Fonte: Matéria publicada pelo Jornal Cinform desta semana